Blog · 1 de outubro de 2026

Elétrica básica: como dimensionar cabos e disjuntores

Entenda, em linguagem simples, como a corrente do circuito, a bitola do cabo e o disjuntor se relacionam, e por que esse cálculo precisa ser feito com critério.

Eletricista com capacete e luvas trabalhando em um quadro elétrico

Em uma instalação elétrica, cabo e disjuntor trabalham em conjunto. O cabo conduz a corrente até o equipamento; o disjuntor protege esse cabo contra sobrecarga e curto-circuito. Se o cabo for fino demais para a carga, ele aquece. Se o disjuntor for grande demais para o cabo, ele não desarma a tempo de evitar esse aquecimento.

No Brasil, a referência técnica para esse dimensionamento é a norma ABNT NBR 5410, que trata das instalações elétricas de baixa tensão. A seguir, explicamos a lógica do cálculo em três passos.

1. Calcule a corrente do circuito

O primeiro passo é saber quanta corrente o circuito vai conduzir. Para cargas resistivas, como chuveiros e aquecedores, a conta é simples: corrente (A) = potência (W) ÷ tensão (V).

Um chuveiro de 5.500 W, por exemplo, consome 25 A em 220 V e cerca de 43 A em 127 V. Por isso a tensão da instalação muda bastante o resultado.

Em motores e outros equipamentos que não são puramente resistivos, entram também o fator de potência e o rendimento, e em circuitos trifásicos a fórmula é diferente. Quando o circuito alimenta vários equipamentos, as potências são somadas.

2. Escolha a seção do cabo

Com a corrente em mãos, escolhe-se um cabo cuja capacidade de condução seja igual ou maior que ela. A NBR 5410 também define seções mínimas: 1,5 mm² para circuitos de iluminação e 2,5 mm² para circuitos de tomadas e de força.

Como referência, estes são os valores da norma para cabos de cobre com isolação em PVC, instalados em eletroduto embutido em alvenaria, com dois condutores carregados e temperatura ambiente de 30 °C:

Esses números mudam conforme a situação. Três pontos costumam exigir um cabo maior do que a tabela sugere:

3. Escolha o disjuntor

O disjuntor é escolhido depois do cabo, porque a sua função é protegê-lo. A regra básica é: a corrente do circuito deve ser menor ou igual à corrente nominal do disjuntor, que deve ser menor ou igual à capacidade do cabo (já considerando agrupamento e temperatura).

Os valores comerciais mais comuns são 10, 16, 20, 25, 32, 40, 50 e 63 A. Além da corrente, observe:

Vale lembrar que o disjuntor protege o cabo, não as pessoas. A proteção contra choques é feita pelo dispositivo DR, e a proteção contra surtos, pelo DPS. Uma instalação segura combina esses dispositivos com o condutor de proteção (fio terra).

Exemplo prático

Considere um chuveiro de 5.500 W em 220 V, em circuito exclusivo, com eletroduto embutido e percurso curto:

Agora imagine que esse circuito divida o eletroduto com outros dois. A capacidade do cabo de 4 mm² cai para 22,4 A (32 × 0,70) e ele deixa de atender. Nesse caso, o cabo passa a ser o de 6 mm², que fica com 28,7 A (41 × 0,70), protegido por um disjuntor de 25 A.

O mesmo chuveiro em 127 V consumiria cerca de 43 A, o que levaria a um cabo de 10 mm² e a um disjuntor de 50 A. O exemplo mostra como a tensão e a forma de instalação mudam o resultado.

Erros comuns

Quando chamar um profissional

Os valores deste artigo são referências didáticas, úteis para entender a lógica do dimensionamento. Em uma instalação real, a escolha de cabos e disjuntores depende das cargas, da forma de instalação, das distâncias e das exigências da distribuidora de energia, e deve ser feita por um profissional habilitado, de acordo com a ABNT NBR 5410.

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