Em uma instalação elétrica, cabo e disjuntor trabalham em conjunto. O cabo conduz a corrente até o equipamento; o disjuntor protege esse cabo contra sobrecarga e curto-circuito. Se o cabo for fino demais para a carga, ele aquece. Se o disjuntor for grande demais para o cabo, ele não desarma a tempo de evitar esse aquecimento.
No Brasil, a referência técnica para esse dimensionamento é a norma ABNT NBR 5410, que trata das instalações elétricas de baixa tensão. A seguir, explicamos a lógica do cálculo em três passos.
1. Calcule a corrente do circuito
O primeiro passo é saber quanta corrente o circuito vai conduzir. Para cargas resistivas, como chuveiros e aquecedores, a conta é simples: corrente (A) = potência (W) ÷ tensão (V).
Um chuveiro de 5.500 W, por exemplo, consome 25 A em 220 V e cerca de 43 A em 127 V. Por isso a tensão da instalação muda bastante o resultado.
Em motores e outros equipamentos que não são puramente resistivos, entram também o fator de potência e o rendimento, e em circuitos trifásicos a fórmula é diferente. Quando o circuito alimenta vários equipamentos, as potências são somadas.
2. Escolha a seção do cabo
Com a corrente em mãos, escolhe-se um cabo cuja capacidade de condução seja igual ou maior que ela. A NBR 5410 também define seções mínimas: 1,5 mm² para circuitos de iluminação e 2,5 mm² para circuitos de tomadas e de força.
Como referência, estes são os valores da norma para cabos de cobre com isolação em PVC, instalados em eletroduto embutido em alvenaria, com dois condutores carregados e temperatura ambiente de 30 °C:
- 1,5 mm²: até 17,5 A
- 2,5 mm²: até 24 A
- 4 mm²: até 32 A
- 6 mm²: até 41 A
- 10 mm²: até 57 A
- 16 mm²: até 76 A
- 25 mm²: até 101 A
- 35 mm²: até 125 A
Esses números mudam conforme a situação. Três pontos costumam exigir um cabo maior do que a tabela sugere:
- Agrupamento: vários circuitos no mesmo eletroduto aquecem mais. Com três circuitos juntos, por exemplo, a capacidade de cada cabo cai para 70%.
- Temperatura: ambientes mais quentes que 30 °C reduzem a capacidade de condução.
- Queda de tensão: em circuitos longos, a tensão que chega ao equipamento diminui. A norma limita essa queda a 4% nos circuitos terminais.
3. Escolha o disjuntor
O disjuntor é escolhido depois do cabo, porque a sua função é protegê-lo. A regra básica é: a corrente do circuito deve ser menor ou igual à corrente nominal do disjuntor, que deve ser menor ou igual à capacidade do cabo (já considerando agrupamento e temperatura).
Os valores comerciais mais comuns são 10, 16, 20, 25, 32, 40, 50 e 63 A. Além da corrente, observe:
- Curva B: indicada para cargas resistivas, como chuveiros, aquecedores e iluminação comum.
- Curva C: indicada para cargas com pico de corrente na partida, como motores e aparelhos de ar-condicionado.
- Capacidade de interrupção (em kA): precisa ser compatível com a corrente de curto-circuito no ponto da instalação.
Vale lembrar que o disjuntor protege o cabo, não as pessoas. A proteção contra choques é feita pelo dispositivo DR, e a proteção contra surtos, pelo DPS. Uma instalação segura combina esses dispositivos com o condutor de proteção (fio terra).
Exemplo prático
Considere um chuveiro de 5.500 W em 220 V, em circuito exclusivo, com eletroduto embutido e percurso curto:
- Corrente: 5.500 ÷ 220 = 25 A.
- Cabo: o de 2,5 mm² conduz até 24 A e não atende. O de 4 mm² conduz até 32 A e atende.
- Disjuntor: precisa ficar entre 25 A e 32 A. Os valores de 25 A e 32 A atendem à regra; a escolha final considera também a recomendação do fabricante do chuveiro.
Agora imagine que esse circuito divida o eletroduto com outros dois. A capacidade do cabo de 4 mm² cai para 22,4 A (32 × 0,70) e ele deixa de atender. Nesse caso, o cabo passa a ser o de 6 mm², que fica com 28,7 A (41 × 0,70), protegido por um disjuntor de 25 A.
O mesmo chuveiro em 127 V consumiria cerca de 43 A, o que levaria a um cabo de 10 mm² e a um disjuntor de 50 A. O exemplo mostra como a tensão e a forma de instalação mudam o resultado.
Erros comuns
- Trocar o disjuntor por um maior porque ele desarma com frequência, sem verificar se o cabo suporta a nova corrente.
- Ligar vários equipamentos de alta potência no mesmo circuito.
- Desconsiderar o agrupamento de circuitos e a queda de tensão em percursos longos.
- Usar cabos sem certificação do Inmetro, que podem ter menos cobre do que o indicado.
- Deixar a instalação sem fio terra e sem dispositivo DR.
Quando chamar um profissional
Os valores deste artigo são referências didáticas, úteis para entender a lógica do dimensionamento. Em uma instalação real, a escolha de cabos e disjuntores depende das cargas, da forma de instalação, das distâncias e das exigências da distribuidora de energia, e deve ser feita por um profissional habilitado, de acordo com a ABNT NBR 5410.
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